domingo, junho 16, 2019

Razão no. 35: Alameda dos Seresteiros - Seresteiros de SBO


No dia 18 de janeiro de 2019 foi reaberta a Alameda dos Seresteiros, liberando o tráfego de veículos entre a Avenida Monte Castelo, em ponto próximo à ETA-1 – Estação de Tratamento de Água, e a Rua 13 de Maio.
Foto: Bete Padoveze - 02.06.19
D. Aurora Joanna Ricetto Padoveze, minha mãe, na Alameda dos Seresteiros 
(Foto: Bete Padoveze - 09.06.19) 
A Alameda dos Seresteiros, inaugurada em 13 de janeiro de 1979 pelo então prefeito Isaías Hermínio Romano, é uma homenagem aos seresteiros, intérpretes e compositores que sempre mantiveram a tradição da seresta em nossa cidade. Na ocasião, o acesso era apenas para pedestres e os bancos no local permitiam um breve descanso aos passantes. No dia da inauguração, para demonstrar o contentamento dos seresteiros da cidade pela homenagem, eles decidiram fazer um samba-canção, sendo o saudoso Antônio Duarte o autor da letra e da música.

Foto do acervo do Cedoc-Fundação Romi

Com o tempo, a população reivindicou a abertura para o tráfego de veículos, principalmente considerando que tanto a Avenida Monte Castelo como a Rua 13 de Maio, por serem muito longas, não permitiam uma alternativa de acesso rápido de uma para outra.


Atendendo essa necessidade e o desejo dos barbarenses, após revitalização do local a nova Alameda dos Seresteiros foi entregue à população pelo Prefeito Denis Andia, no ano em que Santa Bárbara comemora seu Bicentenário.

Foto do Jornal O Liberal - 04/01/19


A obra, executada em parceria com a iniciativa privada, ganhou acessibilidade com fluxo de veículos no sistema “traffic calming” e no sentido Avenida Monte Castelo para Rua 13 de Maio,  com sistema de internet gratuito e nova iluminação inteiramente por LED.



Foto: Bete Padoveze - 02.06.19

O toque especial é, sem dúvida, o sistema de som instalado e que funciona todos os dias, das 9 às 21 horas, tocando conhecidas serestas, em especial as compostas ou interpretadas por músicos barbarenses de várias gerações de seresteiros. Realmente foi uma agradável surpresa, digna de ser apreciada pelos barbarenses e visitantes. 

Alameda dos Seresteiros

Seresteiros barbarenses
A seresta já teve dias de glória em Santa Bárbara d’Oeste. Seresteiros famosos – intérpretes e compositores – mantiveram a tradição por muitos anos, surpreendendo as pessoas no meio da noite com as canções românticas e saudosistas.


Membros  do Grupo de Seresta Estrela D'Alva em confraternização no Clube do 9, celebrando o primeiro ano de existência em 06 de março de 1994: Darcy Bueno de Camargo, Mário Possato, Osmar e Alancardina, Joaquim, Jair Giollo, Alcindo Rodrigues dos Santos - Espanha, Chico Barroso, João da Dita, Mixirica, Toninho de Campos, Zezé Leite, Isabel Giacobbe, José Maria de Araújo Junior (prefeito na época), Doraci Pinha, José Maria Modenesi, José Renato Giacobbe, Lurdinha Giacobbe e Marina Furlan. Colaboração: Toninho de Campos. (Foto do acervo do Cedoc da Fundação Romi)

Nos anos 70, um grupo que gostava de tocar e cantar seresta: em pé, da esquerda para a direita, Toninho do INPS, Toninho de Campos, Antonio Carlos Gonçalves, José Maria Modenese, Dona Judith e seu esposo Arno e Mário Possato. Ao centro, Airton Boaretto, os irmãos Antonio Carlos "Mixirica" e José Renato Giacobbe. Sentados, Antonio Duarte "Toninho", Cleusa Godoy, Doraci Pinha e dona Nair, esposa de seu Mário Possato. Colaboração Joaquim Ferreira Rodrigues. (Foto do acervo do Cedoc da Fundação Romi)


Grupo de seresta na Praça Dona Carolina (Praça do Fórum): Violão, pandeiro, cavaquinho, flauta transversal: Antonio de Oliveira; Antonio de Campos; José Maria Modenese; Judith Rocha von Buetner; Antonio Carlos Aboriham Gonçalves; Arno von Buetner; Mário Augusto Possato; Aylton José Boaretto; Antônio Carlos Giacobbe; José Renato Giacobbe; Antonio Duarte; Doraci Pinha. (Foto do acervo do Cedoc da Fundação Romi)

Eu mesma já fiz parte de um grupo de seresteiros, chamado Grupo Romi de Seresta. Porém, o nosso foco na ocasião não eram apenas as canções de seresta tradicionais e, sim, uma abordagem mais ampla da Música Popular Brasileira.

Em 19 de dezembro de 1987, aniversário do programa “Pedacinho de Chão”, comandado por Eide Froner da FM Municipal, o Grupo Romi de Seresta apresentou-se no Auditório Municipal. Na foto: Lurdinha Giacobbe, Marta Padoveze, Mixirica, Bete Padoveze, Jair Giollo, Jose Renato Giacobbe, Antonio Carlos Gonçalves e José Bonfim. (Foto do acervo do Cedoc da Fundação Romi)

Grupo Romi de Seresta na Inauguração da II Romiarte em 19/08/1988. 
(Foto do acervo do Cedoc da Fundação Romi)

Grupo Romi de Seresta - show em 01/10/1988, no Anfiteatro Municipal. 
(Foto do acervo do Cedoc da Fundação Romi)


Grupo Romi de Seresta, quando de sua formação nos anos 80, em um show no salão social do Clube de Campo das Indústrias Romi, em 17.12.1988. Com o show “Brasil de todos os Cantos”, o grupo apresentou músicas retratando os estados brasileiros: Antonio Carlos Gonçalves, José Renato Giacobbe, Antonio Carlos Giacobbe, o saudoso Mixirica, Marta Padoveze, Bete Padoveze, Giovanni Bonfim, Lurdinha Giacobbe, Rosângela Bueno, Jair Giollo e Valdinei Piovezan. Ao fundo, José Bonfim. O salão do clube foi decorado com bandeiras de todos os estados brasileiros, mostrando a história de nossa música através do show. (Foto do acervo do Cedoc da Fundação Romi)

Não apenas a Alameda dos Seresteiros presta homenagem aos artistas barbarenses. A Sala do Artista Antonio Duarte (*) no Museu da Imigração, anteriormente ‘Casa do Artista Antonio Duarte’, então localizada na Praça João XXIII, perpetua na memória dos cidadãos a importância da seresta em nossa cidade, dando também oportunidade à pluralidade de manifestações artísticas.

Sala do Artista Antonio Duarte, no Museu da Imigração (Foto: Bete Padoveze - 04/08/2012)
Inauguração da Casa do Artista Antonio Duarte em 18/02/1984, pelo então Prefeito José Maria de Araújo Junior (Foto do Acervo do Cedoc da Fundação Romi)


A seresta está acabando?
Não enquanto houver corações querendo cantar a saudade em ritmo bem brasileiro. Assim, o Grupo Amigos Seresteiros desde 2002 vem reunindo amigos que têm o espirito seresteiro e, entre idas e vindas entre Santa Bárbara e Piracicaba, até hoje tem conseguido manter a tradição. 

No início eram apenas Liciane Pimenta, Rita de Cássia Mutti, o casal Florentino e Helena Pio, e outro casal. Os seis Amigos Seresteiros viram outros se juntando, outros participando temporariamente e hoje o grupo conta com 13 amigos. 

No início as serestas aconteciam no Natal, depois se expandiram para outras datas especiais, como Dia das Mães, dos Pais, aniversários, Seresta na Estação e shows na praça. 

O espírito seresteiro
O seresteiro quer levar emoção: feito o roteiro da noite e a seleção musical, sempre com som acústico, os seresteiros partem para cada local e na calada da noite cantam a primeira música (a ‘portinha’, onde incluem o nome do homenageado), mais uma música, e vão-se para o próximo local. O homenageado não precisa sair da casa, basta acender a luz, dando sinal que ouviu, e assim a missão está cumprida.


A seresta não é apenas ‘música antiga’. O grupo tem um compositor, Gilson Fernandes, de Americana, cujas músicas são incorporadas ao programa. Entre serestas, shows e até participação no carnaval na praça, os Amigos Seresteiros perpetuam essa tradição tão brasileira!!

Abaixo, o Grupo Amigos Seresteiros no seu primeiro ensaio na Alameda dos Seresteiros. E eu estava lá para registrar!


Liciane Pimenta, Gilson Fernandes, Rita de Cássia Mutti, Rogéria Fernandes, Florentino Pio, Helena Pio, Doraci Pinha, Marcos Antonio Gomes e Roseli Gomes - Primeiro ensaio do Grupo Amigos Seresteiros na Alameda dos Seresteiros - 15/06/19 (Foto 1: Bete Padoveze)


Ensaio do Grupo Amigos Seresteiros


Seresteiros de SBO
Alguns dos nomes de seresteiros de hoje e de ontem que consegui resgatar ou relembrar. Se você que me lê lembrar de mais alguém, mande-me um recadinho para que eu possa inclui-lo(a) - certamente a memória barbarense agradecerá!

Alancardina Padovani, Alcindo Rodrigues dos Santos - Espanha, Antonio Carlos Giacobbe (Mixirica), Antonio Carlos Aborihan Gonçalves, Antonio de Campos, Antonio de Oliveira, Antonio Duarte, Arno von Buetner, Aylton José Boaretto, Beni Galter, Chico Barroso, Cleusa Godoy, Darcy Bueno de Camargo, Doraci Pinha, Florentino Pio, Gilson Fernandes, Giovanni Bonfim, Helena Pio, Isabel Giacobbe, Jair Giollo, João da Dita, Joaquim, José Bonfim, José Maria Modenesi, José Renato Giacobbe, Judith Rocha von Buetner, Liciane Pimenta, Lurdinha Giacobbe, Marcos Antonio Gomes, Marina Furlan, Mário Augusto Possato, Maria Elisabete (Bete) Padoveze, Marta Maria Padoveze de Carvalho, Mário Modenesi, Nair Possato, Osmar Padovani, Rita de Cássia Mutti, Rogéria Fernandes, Rosângela Bueno, Roseli Gomes, Toninho de Campos, Valdinei Piovezan, Zezé Leite.

Reabertura da Alameda em 18/01/2019https://www.youtube.com/watch?v=rgy6jsqz8NM



(*) Antonio Duarte (Toninho Duarte) foi pintor de quadros, de paredes, cantor, músico, compositor, autor teatral, tendo se destacado regionalmente. Nasceu na cidade de Capivari a 7 de setembro de 1929, mas a família veio para Santa Bárbara ele tinha apenas 6 anos de idade.
Antonio Duarte, seresteiro


Atualização em 20 de junho de 2019A imagem pode conter: 1 pessoa, tocando um instrumento musical, violão e área interna

sexta-feira, agosto 10, 2018

Girassóis em Santa Bárbara d'Oeste


Aproveitando o feriado de sol do dia 9 de julho, fomos visitar uma plantação de girassóis no Jardim Souza Queiroz, no cruzamento da Avenida Isaias Hermínio Romano e prolongamento da Avenida São Paulo.



As flores estavam em seus diversos estágios:tinue lendo: https://liberal.com.br/cidades/s-barbara/campo-de-girassois-chama-atencao-em-santa-barbara-832485/ - Sede por notícias? Assine O Liberal. Também estamos no Facebook, siga: /GrupoliberalContinue lendo: https://liberal.com.br/cidades/s-barbara/campo-de-girassois-chama-atencao-em-santa-barbara-832485/ - Sede por notícias? Assine O Liberal. Também estamos no Facebook, siga: /Grupoliberal






Muitas pessoas foram visitar a plantação. Infelizmente, porém, algumas deixaram seus rastros no local - plásticos, embalagens, até mesmo um automóvel estacionou sobre uma parte da área preparada para plantio. Coisas de turista sujismundo...


Realmente o visual é encantador!









segunda-feira, setembro 14, 2015

Razão no. 34 - Dona Margarida da Graça Martins, uma mulher à frente de seu tempo


Santa Bárbara d'Oeste é uma cidade com singularidades e marcos de pioneirismo. 

Vamos relembrar:
- o primeiro automóvel produzido em série no Brasil (Romisetta),
- o primeiro trator (Toro),
- o primeiro torno CN (comando numérico)
- possui o único cemitério norte-americano fora dos Estados Unidos, 
- é considerada a primeira região do Brasil a usar arados de metal, tendo sido os primeiros arados de modelo nacional (arado Santa Bárbara) produzidos na então barbarense Vila Americana (1),
- é o berço da primeira Igreja Batista em solo brasileiro, formada em 10 de setembro de 1871 (2).

Uma outra característica pioneira e singular é sobre sua fundadora, Dona Margarida da Graça Martins.


Detalhe do busto de Dona Margarida no mausoléu em sua homenagem na praça central. Diz-se que os seus traços faciais foram definidos a partir de informações de pessoas que a conheceram (foto: Bete Padoveze - 21.11.13)

Alguns documentos oficiais e não-oficiais sustentam ser Santa Bárbara d’Oeste a única cidade brasileira fundada por uma mulher. Outros documentos e escritos a consideram uma entre poucas. Controvérsias à parte, parece certo que, se não é a única, foi de fato a primeira. (Atualização em 01/05/2018: segundo informação obtida na página do Wikipedia, Brotas foi fundada por Dona Francisca Ribeiro dos Reis em 1839).

Em tempos em que o papel feminino na sociedade estende-se a inúmeras atividades e responsabilidades, chegando a dominar em muitas áreas, o pioneirismo de Dona Margarida numa época de muitas restrições às mulheres é emblemático e deve servir de inspiração para as cidadãs barbarenses.

Então, vamos recordar um pouco a vida de Dona Margarida da Graça Martins, da qual infelizmente há pouco material disponível.

Margarida da Graça Martins, filha única de Manoel José da Graça e Anna Maria Cardoso, nasceu em Santos no dia 27 de novembro de 1782, onde cresceu e conheceu as técnicas de fabricação do açúcar, pois sua família tinha um pequeno engenho.
Busto de Dona Margarida inaugurado em 1963 (Foto: Augusto Strazdin, extraída do site do Cedoc Fundação Romi)


Mausoléu de Dona Margarida na Praça Central em 2012 (Foto: Bete Padoveze - set 2012) 

Casou-se, obrigada pelos pais, aos 13 anos, com José Paschoal de Lima, morador de São Paulo, um comerciante de tecidos de 37 anos (muito idoso para a jovem Margarida), com quem não teve filhos e do qual ficou viúva três anos após o casamento, tendo vendido o comércio e voltado a morar com os pais. 

Aos 26 anos casou-se novamente com o sargento-mor Francisco de Paula Martins, de 27 anos, com o qual teve 5 filhos: Ângela, Manoel Francisco, Ana Margarida, Maria (que faleceu ainda criança) e Belchior Francisco.

Com a morte do pai em 1810 e depois a do seu segundo marido em 1815, Dona Margarida tornou-se herdeira de propriedades e escravos. Passou então a comandar os negócios da família, comprando uma sesmaria de duas léguas quadradas numa região ainda sertão, pertencente à 4ª. Comarca de Porto Feliz, delimitada ao norte pelo rio Piracicaba e a nordeste pelo Ribeirão Quilombo, para onde transferiu-se com seus 4 filhos, todos menores, parentes, agregados e escravos em 1817.

Em suas novas terras formou uma fazenda de engenho de cana-de-açúcar, para produção de açúcar mascavo. Passado algum tempo, Dona Margarida doou uma parcela de terras à Cúria Paulistana para construção de uma capela em taipa em homenagem à Santa Bárbara, santa de sua devoção, com a consequente fundação de um povoado em seu redor. Assim nasceu a primitiva Santa Bárbara dos Toledos. Como a capela foi erguida em 1818, a data da fundação de Santa Bárbara d'Oeste é considerada 4 de dezembro daquele ano. (Veja abaixo mais detalhes sobre o nome da cidade)


Igreja Matriz de Santa Bárbara, marco zero da cidade (Foto: Bete Padoveze - 24.06.13)
Santa Bárbara, a santa da devoção particular de Dona Margarida - Detalhe do vitral na Igreja Matriz de Santa Bárbara (foto: Bete Padoveze - 24.06.13)

Em 1821 a fundadora do povoado e seus filhos já não residiam mais em Santa Bárbara, tendo voltado para Santos para administrar as propriedades recebidas como herança de seus pais. Posteriormente, a família de Dona Margarida transferiu-se para São Paulo, onde ela faleceu em 13 de julho de 1864 com 81 anos, sendo sepultada no Cemitério da Consolação. 

“Ela não sabia e, talvez nunca soube que foi a fundadora de uma cidade. Apesar do pouco tempo que se estabeleceu para tomar posse da sesmaria, ela teve atitude adiante do seu tempo para uma mulher, estando à frente de negócios e, mesmo que sem querer, iniciando uma vila que gerou o município de Santa Bárbara d’Oeste”, disse o pesquisador Antonio Carlos Angolini. (5)

No dia 4 de dezembro de 1967 seus restos mortais foram transferidos para a Praça Coronel Luís Alves, no centro de Santa Bárbara d'Oeste. Ao que consta, esses restos morais desapareceram depois de uma reforma na praça e não há notícias sobre o que teria ocorrido. (3) 


Cerimônia da transferência dos restos mortais da fundadora para o seu mausoléu em 1967 (foto: extraída do site do Cedoc Fundação Romi)
Descendentes de Dona Margarida durante a cerimônia de inauguração do Mausóleu em 1967 (foto: Augusto Strazdin 1967, extraída do site do Cedoc Fundação Romi)
Vista do mausoléu em 1987 (foto: Antonio C. Angolini, extraída do site do Cedoc Fundação Romi)

Como não considerar pioneira uma mulher que foi além do seu papel esperado para os tempos em que vivia? Como muitas outras mulheres que deixaram sua marca e contribuição à frente de seu tempo, Dona Margarida da Graça Martins também o fez, deixando assim para nossa cidade essa característica singular - a de ser uma das poucas, senão a única, cidade brasileira fundada por uma mulher.

Vale a pena registrar alguns comentários extraídos do livro "Santa Bárbara d'Oeste - Edição Histórica" (editora Focus - coordenação editorial de José Maria Crivellari, adm. Walter Landucci, baseados em pesquisas e textos de diversos autores) (4):

“D. Margarida da Graça Martins, a Fundadora de Santa Bárbara, constituiu um caro exemplo de pioneirismo, desassombro, coragem e capacidade de luta, numa época em que a condição feminina era um obstáculo praticamente intransponível para as atividades fora do lar, que cabiam ao elemento masculino. Estava vedado à mulher o livre trânsito, bem como as decisões independentes, e qualquer transgressão dessa determinação constituía um escândalo.”

“Era dona Margarida, na época, conforme os recenseamentos de Santos, uma senhora de engenho, pois com a morte do pai, seis anos antes, herdara o sítio São Jorge dos Erasmos, onde ela adquiriu os conhecimentos de industrialização do caldo de cana para o fabrico do açúcar e da aguardente, que tão úteis lhe foram na sesmaria, para a qual ela foi, acredita-se, com o intuito exclusivo de explorar em larga escala a produção de açúcar, a mais rendosa indústria daquela época. António Bruno de Oliveira, no valiosíssimo trabalho publicado pelo Jornal D'Oeste em 1969, fala da Fundadora nos seguintes termos: "Dona Margarida da Graça Martins, pelo seu espírito empreendedor e resoluto, deve ter encontrado sempre oposição sistemática da parte dos homens e deve ter sido olhada com desconfiança pelas mulheres. No desbravamento das matas, no cultivo das terras da sua sesmaria, com uma população reduzidíssima na novel povoação, reduziram-se as suas atividades sociais ao mínimo. E o agravamento das inimizades, motivadas pelas controvérsias, e a necessidade da educação dos filhos, todos menores, apressou a sua volta para a cidade de Santos, onde possuía sítios em franca atividade, e a sua posterior transferência para a Capital.”

A Cia. Xekmat divulga personagens históricos da cidade através de seu projeto Viajantes do Tempo. Acima, Dona Margarida da Graça Martins e seu escravo Tobias, em apresentação por ocasião da I Caminhada Cultural em 2010 (Foto: Bete Padoveze em 21.03.10).

Acredito que a história de Dona Margarida deve ser continuamente divulgada para servir de parâmetro e exemplo às mulheres (e homens também, por que não?) que querem deixar um legado para o futuro. Não é preciso que seja tão grande e importante esse legado (como o início de uma nova cidade...). Basta ser uma contribuição, o que certamente fará diferença em nosso pequeno mundo!

O porquê do nome Santa Bárbara d'Oeste

A cidade foi inicialmente chamada apenas de Santa Bárbara, em homenagem à santa padroeira, após a construção da capela em 1818. Depois que a Capela de Santa Bárbara foi construída, o local foi conhecido também como Vila Santa Bárbara e Santa Bárbara dos Toledos, em homenagem à família Toledo.

Com o tempo, com o surgimento de outras cidades com nomes semelhantes, como Santa Bárbara do Sul e Santa Bárbara do Leste, para evitar confusão foi necessário diferenciar a cidade paulista. Para resolver o problema, um decreto do Governo Federal pediu a mudança dos nomes das cidades. A única que permaneceu com a nomeação somente de Santa Bárbara foi em Minas Gerais, cidade com mais de 315 anos de fundação.

Porém, em oposição à tentativa do Governo Federal de renomear a cidade como Canatiba, nome de origem tupi que significa “cana em abundância”, houve um movimento local, liderado por figuras religiosas e pelo jornal local, para manter o nome original, com a adição de um complemento que a distinguisse de outras cidades homônimas.

Assim, foi adotado o complemento "d'Oeste", não por estar necessariamente no oeste do estado, mas como uma forma de distinção.

Há uma teoria bastante difundida que sugere que o complemento "d'Oeste" foi adotado porque a cidade de Santa Bárbara está localizada a oeste do Rio de Janeiro, que era a capital federal do Brasil até 1960. Na época em que o nome foi oficializado, o Rio de Janeiro era o centro político e administrativo do país. Assim, referenciar a posição relativa à capital fazia sentido como forma de localização.

O nome Santa Bárbara d'Oeste foi oficializado pelo Decreto-Lei Estadual nº 14.334, de 30 de novembro de 1944. Esse decreto alterou a denominação do município, que até então era conhecido apenas como Santa Bárbara, para Santa Bárbara d'Oeste.


ooOoo

Veja alguns locais de nossa cidade onde o  nome da fundadora está presente:

- Rua Dona Margarida (corta a cidade desde a Av. Tiradentes até a Rua Fortunato Lira, no Jardim Santa Luzia):

Rua Dona Margarida em 1930 (Banda "Cel.Luiz Alves") - (Foto: Augusto Strazdin, Coleção Usina Santa Bárbara, extraída do site Cedoc Fundação Romi)


Rua Dona Margarida em 2015 (foto: Bete Padoveze - 07.09.15)

- Rodovia Dona Margarida da Graça Martins - SP-135 (estrada velha de Piracicaba), ligando SBO à Piracicaba, passando pelo bairro Caiubi, Chácaras Cruzeiro do Sul, acesso à Usina Santa Bárbara, com aproximadamente 20 km;

- Rua Graça Martins, no centro da cidade (da Av. Corifeu Azevedo Marques até  a Rua Campos Sales)

Rua Graça Martins (foto: Bete Padoveze - 07.09.15)
Cruzamento das ruas Dona Margarida e Graça Martins (foto: Bete Padoveze - 07.09.15)

Loteamento Residencial Dona Margarida, localizado na extinta Fazenda São Pedro (Usina Santa Bárbara), tendo como cenários de fundo o Caminho dos Flamboyants e o casarão construído nos anos 20.

Também leva o nome da fundadora:

- Medalha Dona Margarida da Graça Martins: instituída em 1986 através do decreto legislativo nº 08/1986, de autoria do então presidente da Câmara Municipal, ex-vereador Sebastião Adail Ribeiro, a medalha é outorgada pela Câmara Municipal a personalidades que prestam relevantes serviços na sua área de atuação na comunidade.

Ver post no Instagram de Maitê Proença sobre Dona Margarida:

(5)

terça-feira, julho 21, 2015

Razão no. 33 - FolkDanci Group


Entre as muitas expressões culturais que procuram divulgar, relembrar ou manter tradições de povos e nações - artesanato, música, literatura, vestuário, comidas, rituais, etc., a dança é sem dúvida uma das que mais exigem esforços. 

Em geral, para se perpetuar a memória de algumas danças típicas, especialmente as de grupo, não bastam a música e a coreografia - é preciso buscar informações sobre as vestimentas usadas, confeccioná-las (muitas vezes usando materiais incomuns ou caros) e mantê-las para que estejam disponíveis para próximas apresentações. É preciso reunir integrantes motivados a aprender e que obviamente tenham condições físicas ou técnicas para isso. É preciso dedicar tempo, dinheiro e esforços e, no final, tentar compartilhar o entusiasmo com os integrantes do grupo e com os espectadores.


Livros, filmes, jornais: fontes de pesquisa e inspiração para a confecção das vestimentas de época (Foto Bete Padoveze - 27.04.14)

Pode ser um grande prazer. Pode ser uma contribuição cultural. Pode ser um pouco mais - pode ser uma causa, um objetivo.

Quem vai à Festa Confederada já conhece o FolkDanci Group, um dos grandes momentos do evento, quando jovens e crianças tomam o espaço do palco para mostrar um pouco da cultura popular norte-americana da época da imigração e também da atual. Ali, o que importa é muito mais a alegria da dança do que a técnica. O envolvimento dos dançarinos, a sua espontaneidade e o espírito de festa são os ingredientes notáveis do grupo. 



O FolkDanci Group na sua apresentação na XXVII Festa Confederada em 26.04.15 (Fotos Bete Padoveze)

O FolkDanci Group começou há muito tempo, em abril de 1993, a partir de uma tradicional festa de quinze anos, cujo tema era E o Vento Levou... Kelita Padoveze, a aniversariante, reuniu os amigos para a comemoração: o traje para as madrinhas era um vestido longo, com uma armação enorme, como Scarlett O'Hara, protagonizada pela atriz Vivien Leigh, usou no filme. Já os padrinhos teriam que estar vestidos como soldados confederados. Naquela noite, as danças reviveram os grandes bailes sulistas dos Estados Unidos que aconteciam no século XIX. 


Esse grupo inicial de jovens - 15 casais - foi convidado a participar da "Festa Confederada Brasil-Estados Unidos", que acontece todos os anos no pátio do Cemitério do Campo emSanta Bárbara d'Oeste e, ano após ano, passou a ser uma das maiores atrações da festa.
O primeiro grupo de 'soldados' prontos para dançar em 1993 (foto do acervo do FolkDanci)
Mais tarde o grupo foi convidado pelo Círculo Italiano a apresentar danças tipicamente italianas, as tarantellas. Uma academia cedeu o espaço e o professor para que o grupo pudesse ensaiar. Assim, o grupo folclórico começou a crescer. Surgiu então a oportunidade de aprender a dança flamenca (Espanha), que foi apresentada no Teatro Municipal Manoel Lyra, a convite do Centro Cultural de Danças.

A partir daí o grupo apresentou-se em inúmeros e variados eventos, tanto em SBO como em outros cidades: 

  • Teatro Municipal de Piracicaba Dr. Losso Neto – A Bela Adormecida em 1999
  • Aniversário da Escola Magui em 19.07.99
  • Homenagem do Sesi ao Dia do Trabalho em 1999
  • Um bairro Chamado Mundo – 2000 – Teatro Manoel Lyra –  com números de dança espanhola, italiana, brasileira, argentina e mexicana.
Um Bairro Chamado Mundo - Teatro Manoel Lyra - 2000 (foto Bete Padoveze)
  • Semana Italiana – em 1999 e 2001
Semana Italiana no Tivoli Shopping - SBO em 2001 - Na primeira fila, em segundo lugar da direita para a esquerda, está Toninho Padoveze, um dos seis irmãos Padoveze da formação básica (foto Bete Padoveze)
Michelly Pompeu e Eduardo Deffanti na Semana Italiana no Tivoli em 2001 (foto Bete Padoveze)
  • Programa Canta Santa Bárbara, em janeiro de 2000
Apresentação do FolkDanci durante a homenagem em janeiro de 2000 à sua fundadora Nanci Padoveze - Programa Canta Santa Bárbara (foto Bete Padoveze jan 2000)
  • Finados – Campo da Ressurreição em Piracicaba – nov 2001
  • Campo da Ressurreição em Piracicaba em novembro de 2001 (foto do acervo do FolkDanci)
  • Gincana da Prefeitura de SBO na Festa Julina Comunitária (no CSU) em 08.07.01
Foto do acervo do FolkDanci
  • Festa Junina – Escola Anglo – 23.06.2001
  • Festival Cores e Sentimentos – 25.05.2001 – Teatro Manoel Lyra
  • Festa do Clube da Âncora, no Clube de Campo da Fundação Romi, em 30.06.2001 – Mudança de Hábito
Mudança de Hábito em 2001 (foto do acervo do FolkDanci)
  • Recepção à prefeita da cidade de Greensboro (USA), em SBO  
  • Sarau do Colégio Ideal em SBO - 2001
Kelita Padoveze e Lucas Plotegher dançando o flamenco no sarau do Colégio Ideal em 2001 (foto Bete Padoveze)
  • Caminhada Cultural em SBO em 2010, com apresentação no Museu da Imigração
    Caminhada Cultural em 2010 (Foto Bete Padoveze)
  • Virada Cultural Paulista em SBO
Dança Italiana - VCP SBO 2010 (Foto Bete Padoveze) - Ver slideshow 2'40
Dança Flamenca - VCP SBO 2010 (Foto Bete Padoveze) - Ver slideshow 3'12 
Dança Americana - VCP SBO 2010 (Foto Bete Padoveze) - Ver slideshow 3'43

Dança Alemã - VCP SBO 2010 (foto Bete Padoveze) - Ver slideshow 2'28
  • Shopping Morumbi São Paulo
  • Escola Americana de Idiomas - São Paulo
  • Festa no Bairro Caiubi, em SBO
  • Concha Acústica em Campinas
  • Gigio, o Italianinho – Peça com dança - Teatro da Unisal João Baldan 
  • Gigio, o Italianinho – Peça com dança - Fundação Romi pelo Circolo Italiano
  • Feira das Nações de SBO por vários anos
Feira das Nações 2000 - Casais representando a França e a Inglaterra (foto Bete Padoveze)

Feira das Nações em 2001 - Diego Calvi (im memoriam) e Lucilene Baldo (foto do acervo do FolkDanci)
  • Festa da Aquiropita em Americana
  • Festa Junina da Fundação Romi em vários anos - em 2007 dança italiana - ver clipe (2'53)
Country americano na Festa Julina da Fundação Romi em 2001 (foto do acervo Cedoc F. Romi)
  • Festa do Peão – Americana - ver clipe (7'31) 
  • Semana Italiana Teatro Municipal Manoel Lyra
  • De volta à escola – Anos 60 – Unisal
  • Participação no comercial do São Vicente para a Festa do Peão de Americana em 2010 - ver clipe (0'30)
  • Festa Confederada - desde 1993 até hoje.
Em 1996 (foto do acervo do FolkDanci)

Em 2000, prontas para dançar The Yellow Roses of Texas (foto do acervo do FolkDanci)
Em 2002, Kélide Padoveze e Ricarte Crisp (foto do acervo do FolkDanci)
Na abertura da Festa Confederada de 2002, alguns dos casais representando as bandeiras dos estados confederados (foto: Lea Minshull)


Marcelo Matias apresentando a bandeira da Carolina do Norte na XXVI Festa Confederada em 2014


Em 2010 a forte chuva não impediu que o show continuasse (foto Bete Padoveze) 

Formação
Sua formação básica são seis irmãos - Keila, Kélide, Kelita, José Frederico, João Leopoldo e José Antonio - que, empolgados, conseguiram transmitir o gosto pela dança a seus primos, aos primos de seus primos, aos seus vizinhos e amigos... Hoje essa família estendida é composta de aproximadamente 30 jovens que têm em comum o gosto pela dança. O grupo é aberto a participação de qualquer jovem, sem custo ou mensalidade - o único compromisso é com os ensaios e participação nos eventos.
Irmãos, primos, amigos - prontos para a dança  (Eduardo Deffanti, Leopoldo Padoveze, Douglas Kuhl, Jean Cunha, Frederico Padoveze) (Foto Bete Padoveze 2000)
Muitos jovens passaram pelo FolkDanci Group e alguns deles ainda participam dos eventos.

Foto extraída do Liberal - Caderno Eclética - Leopoldo Padoveze, Gabriela Vidal, Jean Cunha, Keila Padoveze, Ricarte Crisp, Marina Miranda, Kelita Padoveze, Kélide Padoveze (http://www.liberal.com.br/noticia/77989208424-ecletica_festa_dos_confederados)

Keila Padoveze, Jean Cunha, Gabriela Vidal, Leopoldo Padoveze, Marina Miranda, Kelita Padoveze, Ricarte Crisp, Kélide Padoveze (Foto do acervo do FolkDanci)

Jean Cunha e Leopoldo Padoveze participam desde o início do grupo (Foto Eduardo Deffanti 26.04.15)
Alguns estão apenas começando...


Olívia, Thomas, Luiz Otávio e Júlia Quirino (Foto: Bete Padoveze, 27.04.14)
Diico (Frederico), esperando a vez de entrar em ação (Foto Eduardo Deffanti 26.04.15)

Há quem já se casou e ainda continua dançando:

Alexandre e Elaine Scarpelin em 2000, na Feira das Nações (Foto: Bete Padoveze)
Alexandre e Elaine Scarpelin em 2015, na Festa Confederada (Foto: Bete Padoveze)
Há mães que continuam participando e já trazem seus filhos:


Marina Miranda e Gabriel Miranda (foto Eduardo Deffanti 26.04.15)

FolkDanci
O nome do grupo às vezes gera alguma dúvida: por que FolkDanci e não FolkDance, observando o padrão do idioma inglês? A explicação é simples: FolkDanci compõe-se das palavras Folk + Dance + Nanci, nome da fundadora. (1)

Foto Bete Padoveze 26.04.15

O grupo apresenta-se em escolas, em empresas e em festas de toda a região.  Não tem vínculo com nenhuma entidade ou organização e é sustentado com recursos próprios dos responsáveis - o casal Padu e Nanci Padoveze, que estão sempre à espera de um patrocínio ou contribuição para arcar com as despesas de confecção e renovação do guarda-roupa, bem como transporte e alimentação durante os eventos, o que acontece ocasionalmente.

Padu e Nanci Padoveze, o casal à frente e por trás do FolkDanci (foto Eduardo Deffanti 26.04.15)
As roupas usadas nas danças são confeccionadas por Nanci, auxiliada por Veneranda Cuppi Ferreira, e passam de um integrante para outro, sendo renovadas à medida que se desgastam.


Kelita Padoveze (com Bete Padoveze) usando um dos vestidos confeccionados para a sua festa de 15 anos que deu origem ao FolkDanci; Rejane Crisp com o mesmo modelo de vestido na Festa Confederada 2000; Luana de Paula e Silva com o vestido na Festa Confederada 2006 (fotos #01 e 02 acervo FolkDanci; foto #03 Bete Padoveze)


Bárbara Martignago em 2009 e Julia Bueno Quirino em 2015 com o mesmo vestido vermelho (fotos Bete Padoveze).
Por se tratar de grupo com uma base familiar, as atividades mantém a unidade de seus membros. Além da coordenação geral realizada pela Nanci, Padu exerce a função de mestre de cerimônias. As coreografias das danças americanas são desenvolvidas por Keila, Kélide e Kelita. Para danças representativas de outros países contam com a ajuda de outros professores ou conhecedores que preparam a coreografia e auxiliam nos ensaios.


A coreografia de 'Sete noivas para sete irmãos', baseada no famoso filme do mesmo nome, exigiu muitos meses de ensaios - veja o clipe (5'50)  (foto: Bete Padoveze)
O grupo hoje
Vinte e dois anos depois o FolkDanci Group continua atraindo o interesse de jovens e crianças, principalmente durante as apresentações anuais na Festa Confederada. Tanto trabalho, dedicação e obviamente despesas certamente têm um resultado: momentos de amizade, de descontração e alegria entre seus participantes, e a certeza de estar contribuindo de maneira ímpar para a manutenção de aspectos históricos e culturais de nossa cidade - e isso não tem preço!


XXVI Festa Confederada - 2014 (Foto: Bete Padoveze)

XXVII Festa Confederada - 2015 (Foto Bete Padoveze)

Festa Confederada 2014 - Kelita Padoveze e Ricarte Crisp (foto do acervo do FolkDanci)
(1) Nanci é descendente de norte-americanos das famílias Carr e Crisp.