domingo, junho 26, 2011

Heróis e Vilões - Chácara Padoveze, 28 de maio de 2011


Todo mundo quer ser herói.
Bem, acho que às vezes também dá vontade de ser um pouco vilão. Os vilões parecem charmosos e audaciosos e quase sempre ousados no figurino.
Já que carregar a imagem de vilão pela vida toda pode ser muito cansativo e incômodo, podemos fantasiar um pouco...










Ooops, temos concorrência!





 


João Frederico Padoveze Armelin
Há quem queira ser herói desde pequeno... ou pelo menos saber usar a arma do herói.
Há quem queira juntar o útil ao agradável: ser herói(na) e amar um(a) herói(na)...

Eduardo Deffanti e Luana Paula e Silva

José Frederico Padoveze e Lívia
Tem família onde todo mundo é herói

Rafael, Kélide, Bárbara e Thomaz Padoveze Martignago

Tem herói que prefere ser aventureiro e encontra alguém à sua altura (ã, mais ou menos à sua altura...)


       
Alexandre Castro e Angelita Paula e Silva

Tem herói que precisa de mais tempo para ficar pronto, mas chega a tempo
Jean Cunha

Tem herói que precisa de menos tempo para ficar pronto
Tem quem abra bem os olhos
enquanto outros fazem mágica
Tem herói que prefere comer
Artur Armelin

Tem aqueles que preferem curtir a música
  
Onde há heróis...
...há mocinhas
Num mundo cheio de heróis e vilões....

o que todo mundo quer é um pouco de tempo e espaço para divertir-se!



 

 Local: Chácara Padoveze
 Som e Iluminação: LED Produtora 
Ambientação: Jean Cunha e José Frederico Padoveze
Quadros: Keila Mara Padoveze Armelin
Fotos: Bete Padoveze

quinta-feira, abril 21, 2011

FESTA CONFEDERADA 2011


Choveu muito na tarde de 10 de abril de 2011. Muita água, muitas pedras. Muita lama, desconforto...




But they are rebel, and proud of it...



E a festa não parou!



Fotos e Texto: Bete Padoveze
Danças americanas: Folk Danci Group

Caminhada ao Vale Comanche



Não foi desta vez que fui ao Vale Comanche. Cheguei na porta, isto é, na trilha, olhei e voltei. Um outro dia, quem sabe...







Valeu o caminho de ida e o de volta, uma hora e quarenta de caminhada.

Mas valeu acordar cedo e participar da homenagem ao Tico, meu irmão. Lá de cima ele olha por nós...
Posted by Picasa

Caminhada ao Vale Comance - Video - Música: Meet me in the memory

Caminhada ao Vale Comanche - Vídeo - Música: Meet me in the memory (Sister Hazel)

quarta-feira, abril 21, 2010

Beleza escondida

As duas orquídeas floresceram, solitárias e belas, num lado escondido do jardim, e pareciam destinadas a não ser admiradas. Tinham uma a outra, e uma triste sina, a da beleza esquecida.

Triste, para a flor que se preparou por longos meses resistindo aos ataques de sol, chuva, poeira, insetos, caracóis; resta o abrir-se para o nada e depois morrer...



Para os olhos também, que esperaram pelo seu esplendor, que nunca se sabe quando acontece, e de repente alguns dias se passam e nem se vê, já veio e já se foi.

Os olhos da câmara, porém, são espertos e registram em segundos o esplendor de poucos dias, e assim a beleza ganha eternidade...












terça-feira, abril 13, 2010

FESTA NO CEMITÉRIO


Festa Confederada ou Festa dos Americanos no Cemitério do Campo ou dos Americanos.


Sim, é uma festa no cemitério. Nada a ver com Halloween, encontro de góticos ou qualquer coisa fúnebre. Ao contrário, é uma festa como deve ser. Com comida, bebida, música, danças, muito sol, muita animação e alegria. Talvez um pouco estranho, pois tudo se passa a pouca distância de alguns jazigos, cujos moradores parecem não se incomodar com o barulho...

À primeira vista, o visitante pode se sentir um pouco confuso - será isso um "remake" de E o vento levou? O que fazem esses jovens vestidos de soldados da Guerra da Secessão?









E essas jovens com esses vestidos longos neste calor tropical?

Para entender, é preciso conhecer um pouco a história dos norte-americanos que imigraram para diversos pontos do Brasil após a Guerra Civil. Mais precisamente, o Cemitério do Campo preserva a história daqueles que vieram para Santa Bárbara d'Oeste e aqui se fixaram, e de onde se originou, a partir da Vila dos Americanos, a vizinha cidade de Americana.
A história é interessante e vale a pena conhecê-la mais a fundo, entender as influências sociais, culturais e econômicas na região, e saber que os nomes americanos nas ruas dessas cidades têm a ver com pessoas que ali viveram e criaram suas famílias.
É uma festa para todas as idades, onde a descontração é o elemento mais comum. Não é preciso ser descendente, simpatizante, historiador ou fotógrafo para se sentir bem ali. Basta gostar de ver gente alegre, de ouvir street jazz (Russo Jazz Band), basta gostar de sentir um pouco de ar fresco, sol (e às vezes - por que não é possível controlar o tempo - algumas gotas de chuva).


Marque na sua agenda para o próximo ano: segundo domingo de abril. Tenho certeza de que você vai se divertir.

Russo Jazz Band - Festa de abril de 2008. Ao fundo, a Capela erigida na entrada do cemitério.


Russo Jazz Band em abril de 2010
Bárbara, one of the Yellow Roses of Texas

O Can-can dos saloons do Velho Oeste
Já preparando as jovens para as próximas festas
Um pouco de Hanna Montana - a nova geração
Olivia

sábado, abril 03, 2010

Dia de chuva


Dia de chuva é legal quando a gente está tranquila, sem compromissos, sem precisar sair de casa. É bom prá pensar na vida, prá relaxar e prá tirar fotografia.










minha ixória 










uma gota de chuva querendo cair


terça-feira, março 16, 2010

Lantanas amarelas, brancas e lilases

As lantanas amarelas do meu quintal estão tão lindas que eu desceria as escadas muitas vezes ao dia só para vê-las, para confirmar que elas continuam ali.

Sinto pena das branquinhas, que não tem força para competir com as amarelas. Mais pena sinto ainda das lilases, que estão relegadas ao final do canteiro e não tem chance de explodir em cores como merecem.

Mas devo dizer que a culpa não é minha. Foi o jardineiro que as plantou que não percebeu que a janela e a árvore do lado iriam trazer sombra para as branquinhas e para as lilases.
Eu, coitada!, nada entendia de lantanas, mas rapidamente aprendi que a amarela tem força, a branca é fraquinha e a lilás é um pouco tímida.


segunda-feira, outubro 23, 2006

Segunda-feira


É segunda-feira, 8 horas da manhã, e tento cumprir a minha primeira boa resolução de início de férias – caminhar (quanto tempo isso vai durar? Talvez alguns dias, como todas as boas e saudáveis resoluções). As ruas ainda não acordaram totalmente, mas já se ouvem aqui e ali os ruídos da semana que se abre. Tudo parece novo por que há muitos anos não tenho essa chance de caminhar numa segunda-feira comum, enquanto todas as pessoas trabalham e eu não.

Busto de Dona Margarida - Praça Central
Enquanto vou cruzando as ruas, o ritmo dos meus passos acompanha o ritmo das pessoas e das coisas acontecendo. Portas que se abrem, gente varrendo lojas, calçadas, enchendo as vitrinas, mostrando ofertas, padarias exalando o maravilhoso aroma de pão, bares cheirando a café e pastéis. O ruído cresce devagar, gradualmente, mas em poucos minutos começa a invasão dos empregados das lojas. Os ônibus despejam uma multidão de gente, já em seus uniformes de trabalho; os carros já se mostram impacientes, e em menos de meia hora a cidade já ganha movimento.

Praça Central
O passar por uma escola sopra uma onda de nostalgia (há décadas não vejo uma cena com crianças em uma aula de educação física!). Esqueço que minha prioridade é manter o ritmo das passadas e começo a olhar tudo como se nunca estivesse estado aqui, ou melhor, como se estivesse ausente da minha própria cidade por anos.

Escola Gabriel de Oliveira
É engraçado como, aprisionados pela rotina do trabalho e dos horários, vamos deixando a vida acontecer e quando prestamos atenção quase não a reconhecemos – a cidade, as pessoas, a vida, não parecem a nossa – e ela nos surpreende trazendo sons, cheiros e cores que parecem diferentes.

A vida acontece – já dizia John Lennon – enquanto fazemos planos. A vida acontece sem que tenhamos tempo de viver o melhor dela. Se me perguntarem qual o melhor momento da minha vida, por certo irei vou imediatamente lembrar dos grandes momentos, das grandes felicidades. Mas ao sentir os aromas e os ruídos de momentos comuns, muitos deles raros para mim, como sentir o cheiro da comida sendo preparada nas casas enquanto você caminha na calçada, os ruídos do início do dia, o silêncio do fim do dia quando você volta para casa, o vento leve brincando de dar prazer aos seus cabelos, à sua pele, aí, sim, a vida parece ser um grande momento!

Fotos: Bete Padoveze - setembro 2012.
 

segunda-feira, setembro 18, 2006

Capela de São Pedro de Monte Alegre


Em Piracicaba, arte e história desconhecidas - Os afrescos perdidos de Volpi

Com o interesse despertado pela reportagem publicada no Caderno 2 do Estado de São Paulo em 11 de agosto de 2001 e após um contato telefônico om o Sr. Wilson Guidotti, um dos atuais proprietários, fomos visitar a Capela de São Pedro de Monte Alegre, em Piracicaba, no último domingo de janeiro.



Tomando o caminho ao lado da ESALQ, avançamos um pouco além da fábrica existente no local e já na entrada da Vila Monte Alegre pudemos ver a capela no alto da colina. Embora informados de que estaria aberta aos visitantes todos os últimos domingos do mês, a capela estava fechada. Conversando com algumas pessoas da vila, chegamos ao nome do Sr. Pedro Bocatto, um dos responsáveis pela visitação, que nos indicou a casa de Da. Inês, que, muito gentilmente e já habituada aos visitantes, abriu-nos a capela.

Tanto exteriormente como interiormente, ela pouco tem da ideia que fazíamos de uma capela de usina açucareira. É mais que isso - é uma pequena igreja, que contém 600 metros quadrados de pintura, obra de Alfredo Volpi, um dos mais importantes pintores modernistas brasileiros. 

A capela foi construída pelo usineiro Pedro Morganti a pedido de um de seus empregados, para que os imigrantes italianos e os empregados da usina pudessem rezar, e foi inaugurada em 1937 para o batismo de uma de suas filhas. Pedro Morganti, interessado em arte e sentindo nostalgia da Itália, encomendou uma réplica da igreja existente em Siena, sua terra natal, que data do ano 1100, aproximadamente. 

Para a decoração, optou por Alfredo Volpi, que trouxe consigo Mário Zanini, entre outros, para executar o trabalho. Com a decadência das usinas de açúcar, Pedro Morganti perdeu as terras, o engenho fechou - apenas algumas antigas construções ainda existem - e a capela acabou sendo vendida.

Somente há dez anos a comunidade piracicabana reconheceu a sua importância histórica e em 1991 ela foi tombada pelo Conselho Municipal de Defesa do Patrimônio Artístico e Cultural de Piracicaba. Também a pequena vila italiana do século 19, a 200 metros da capela, foi tombada recentemente.

Conforme Da. Inês, a capela recebe visitantes com frequência, inclusive do exterior. O cineasta brasileiro Ugo Giorgetti visitou a capela e, encantado, decidiu fazer um documentário sobre sua história. 

Tão logo Da. Inês abriu-nos as portas para a visita, outros dois visitantes chegaram. Já quase à saída, também chegou um casal de São Paulo, motivados pela mesma reportagem do jornal, e cujo pai, artista plástico, foi amigo de Alfredo Volpi. Além de recepcionar os visitantes e contar-lhes a estória da igrejinha, os moradores da Vila, organizados em um grupo responsável, promovem anualmente uma festa junina, que atrai muita gente das proximidades.

A bela capela da Vila Monte Alegre não é apenas um pedaço de história e arte praticamente desconhecidos em nossa região. É, surpreendentemente, a maior obra de Alfredo Volpi, que não consta do catálogo de sua obra, não era citada em suas entrevistas e tampouco foi tombada pelo patrimônio estadual. Quem a visitar, porém, e conhecer sua história, certamente se encantará com os afrescos, com os altares, com a cúpula restaurada, que representam um pouco da grandeza das usinas açucareiras do início do século XX.

Fotos: Bete Padoveze (janeiro2002)

quinta-feira, agosto 31, 2006

Por que terminei meu romance com Antonio Fagundes




Depois de muitos meses de românticos assédios e tentativas, finalmente resolvi ceder ao Antonio Fagundes. Um pouco de amor e romance não me faria mal e, na minha idade, as oportunidades não costumam ser tão frequentes. Além de tudo, Antonio é um belo homem: o típico machão, sensível e romântico nas horas certas. Dono de uma elegância casual, a pequena barriga lhe cai bem, torna-o um homem comum, mas verdadeiro. Fosse ele atlético ou sofisticado e perderia seu charme, que vem exatamente da personalidade marcante, do porte levemente descuidado mas ao mesmo tempo firme. Antono é daqueles homens para quem mesmo chinelos velhos caem bem - a elegância lhe vem do olhar, da atitude.

Pois bem, estava resolvido: iria dar-me a essa loucura.

É bem como esperava: Antonio é um romântico-sensível. Ao falar, sua atenção é completamente concentrada no momento presente, seus olhos são penetrantes e ao mesmo tempo delineiam um mundo vasto escondido. Seus gestos são calmos, mas não estudados. Ao mesmo tempo, a firmeza de atitude revelam o homem forte e dominador sempre pronto a eclodir num momento de perigo. Que mulher não se sentiria atraída a um homem desses, meu Deus?

Antônio fala com doçura. Anos de palco e de set de filmagem fizeram dele um homem habilidoso com as palavras. Sabe muito, sabe o que agrada às mulheres e as faz sentir importantes, sabe ser inteligente sem ser pedante. Procuro ficar quieta, apenas bebendo o sabor agradável de suas palavras, deixando que o desejo se instale de maneira definitiva em minha mente.

À medida em que Antonio fala, também meu corpo reage ao momento. Antonio sabe como conduzir uma mulher com seu doce discurso, sem usar as mãos. A esta altura, porém, já preferia sentir um pouco mais de suas mãos em minha pele.

Antonio continua seu preâmbulo amoroso - vejo que aprendeu muito na escola da interpretação e realmente impressiona. Sou, porém, uma mulher comum, e a uma certa altura as palavras têm menor importância, a ação deve ceder lugar a elas. Mas parece que Antônio não se dá conta disso, tão absorvido pelo clima de romance shakespeariano que criou.

Fico um pouco impaciente e, literalmente, vou secando de amor. Antônio não percebe. Mas eu percebo que depois de uma certa idade, alguns homens começam a confundir desejo com realização. Melhor dizendo, muitas palavras, pouca ação.

E assim, à medida em que o tempo escoa e eu me canso, o meu despertador toca. É hora de retomar a vida, enfrentar a dura realidade e esquecer Antonio.


Texto: Bete Padoveze
Fotos: Gondoleiros, Grande Canal, Veneza (Bete Padoveze)


domingo, julho 02, 2006

Qualquer caminho serve




















Ao responder a um questionário, uma jovem intercambista coreana do Rotary disse que, entre os grandes problemas da juventude atual, um que considera muito preocupante é a apatia. Seria a apatia a causa (ou consequência?) do comportamento errático dos jovens de hoje, em todo o mundo. É a falta de perspectiva, de confiança no futuro - no seu próprio e no da humanidade – que faz com que não se dê muita importância ao papel que cada um deve representar na sua comunidade e no mundo.

Até onde consigo enxergar, esse não é um problema unicamente vinculado à idade - neste caso, à falta de. Mostrar-se ou ser apático, em qualquer idade ou lugar do mundo, é às vezes uma defesa contra a difícil arte de viver nele.

Saber o que fazer, como fazer, que caminho seguir na vida não é fácil. Felizes dos que logo, logo descobrem isso.

Quando Alice (lembram dela?), em seu estranho e maluco passeio pelo País das Maravilhas, pergunta ao Gato qual caminho ela deve seguir, ele responde perguntando aonde ela quer chegar. Alice responde que não importa muito e o Gato diz então que qualquer caminho serve.

É bem isso: se a gente não sabe pra onde vai, qualquer caminho serve... A metáfora do Gato de Alice tem sido muito usada para explicar a confusão de objetivos de nossos tempos. Dizemos que principalmente nossos jovens não sabem o que querem, por quê querem, e para onde irão. Parece difícil ser jovem hoje, quando a necessidade de sucesso pressiona para que se mantenham com aparência e mentalidade jovens, e paradoxalmente deles exige experiência e maturidade. Tudo isso a curto prazo... Enquanto isso, enquanto se perdem um pouco pelos caminhos que ainda não sabem escolher, a adolescência e a juventude vão se estendendo por anos e anos... (alguns morrem aos 80 ainda adolescentes e confusos).

A verdade é que os adultos também se perdem e ficam esperando que o Gato lhes dê uma resposta. Ilusão: a uma certa altura da vida, a resposta tem que estar dentro da gente mesmo, e, pior, não há muito mais tempo para se testar caminhos. A gente tem que seguir a intuição.

O Gato de Alice ainda piora a situação dizendo que, seguindo um ou outro caminho, ela
encontrará a Lebre ou o Chapeleiro, e ambos são malucos. E ela também é maluca, pois está ali. Ah, isso explica muita coisa!



Texto: Bete Padoveze (Maio 2005)
Foto: Estrada para o Cemitério do Campo (Lea Minshull 2003)
Foto: Estrada Rio das Pedras (Bete Padoveze 2010)